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sábado, 19 de abril de 2014

Fagner e Caetano - Disco de Bolso do Pasquim - 1972

Fagner e Caetano - Disco de Bolso do Pasquim  - 1972


01  - Caetano Veloso - A Volta da Asa Branca
02 - Fagner - Mucuripe

 No dia 10 de março de 1972, com uma tiragem inicial de trinta mil exemplares foi lançado o primeiro ''Disco de Bolso'' trazendo Tom Jobim com Águas de Março e no outro lado do compacto, um compositor de Minas Gerais praticamente desconhecido: João Bosco com a música Agnus Sei.  O ''Disco de Bolso'' foi uma invenção do produtor Eduardo Athayde e do cantor e compositor Sérgio em parceria com os editores do ''Pasquim''. A idéia era mostrar a cada lançamento um nome consagrado na MPB e um estreante, já que na época era bastante difícil furar as barreiras das gravadoras convencionais.  Para o segundo ''Disco de Bolso'' convidaram Caetano Veloso, recém chegado do exílio em Londres. Por escolha própria Caetano Veloso não quis gravar uma composição sua, preferindo recriar, com um pouco de ironia, A Volta da Asa-Branca, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga. O estreante escolhido foi ''um paraíba que dava canja na redação do Pasquim'' e totalmente desconhecido do grande público, embora já tivesse gravado um compacto simples para a gravadora RGE e possuísse um bom relacionamento com os grandes astros da MPB: Raimundo Fagner.
         O lançamento oficial do ''Disco de Bolso'' de Caetano Veloso e Raimundo Fagner foi no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, Rio de Janeiro, no dia 10 de junho de 1972 em um show com as presenças de Paulinho da Viola, Sérgio Ricardo, Egberto Gismonti, Nelson Cavaquinho e Rosinha de Valença. Raimundo Fagner vinha de um compacto que não tinha vendido nada e o ''Disco de Bolso'' anterior com Tom Jobim e João Bosco havia superado os vinte mil exemplares, e ele desta vez não poderia decepcionar. Embora já fosse saudado como uma grande revelação na música popular e ter sido gravado por Elis Regina, era uma responsabilidade muito grande dividir um disco com Caetano Veloso, um dos criadores do Tropicalismo, movimento que fez parte de sua juventude em Fortaleza, ainda embalado pelos ecos dos festivais.
         No compacto (Pasquim, 1972, No. 2801.005) Raimundo Fagner ao violão interpretava Mucuripe - dele em parceria com o também cearense Belchior - acompanhado apenas por Ivan Lins no órgão. Mas se o primeiro compacto não obteve nenhuma resposta comercial, Mucuripe era a certeza que o tão almejado sucesso não tardaria a chegar.  Mas apesar do enorme sucesso obtido e da total aceitação dos novos compositores o ''Pasquim'' não teve condições de produzir o terceiro número da série ''Disco de Bolso''. Infelizmente, uma ótima idéia que acabou ficando no bolso..

quinta-feira, 20 de março de 2014

Maria Bethânia, João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil - Brasil - 1980

Maria Bethânia, João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil - Brasil - 1980 


01 Aquarela do  Brasil
02 Cordeiro de nanä
03 Bahía com h
04 No tabuleiro da baiana
05 Milagre
06 Disse alguém (All of me)

Maria Bethânia - Caetano & Gal & Gil - Temporada de Verão Ao Vivo Na Bahia - 1974

Maria Bethânia - Caetano & Gal & Gil - Temporada de Verão Ao Vivo Na Bahia - 1974


1. "Quem Nasceu" (Péricles Cavalcanti) – 3:50
2. "De Noite na Cama" (Caetano Veloso) – 4:18
3. "O Conteúdo" (Caetano Veloso) – 9:38
4. "Terramoto" (João Donato, Paulo César Pinheiro) – 5:34
5. "O Relógio Quebrou" (Jorge Mautner) – 5:52
6. "O Sonho Acabou" (Gilberto Gil) – 3:29
7. "Cantiga do Sapo" (Buco do Pandeiro, Jackson do Pandeiro) – 3:54
8. "Acontece" (Cartola) – 3:24
9. "Felicidade Foi Embora" (Lupicínio Rodrigues) – 6:26

Maria Bethânia - Eu vim da Bahia - 1965

Maria Bethânia - Eu vim da Bahia - 1965 


1. Eu Vim da Bahia - Gal Costa
2. Sim, Foi Você - Gal Costa
3. É Um Tempo de Guerra - Maria Bethania
4. Gloria In Excelsis (Missa Agrária) - Maria Bethania
5. É de Manhã - Maria Bethania
6. Samba Em Paz - Caetano Veloso
7. Cavaleiro - Caetano Veloso
8. Roda - Gilberto Gil
9. Procissão - Gilberto Gil
10. Yemanjá - Gilberto Gil
11. São Benedito - Tom Zé
12. Maria do Colégio da Bahia - Tom Zé

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Chico Buarque - Melhores Momentos De Chico & Caetano - 1986

Chico Buarque -  Melhores Momentos De Chico & Caetano - 1986


1. "Festa Imodesta" (Participação: Caetano Veloso (voz), Chico Buarque (voz) Caetano Veloso 3:07
2. "Billie Jean" (Contém fragmento de "Nega Maluca", de Fernando Lobo e Edvaldo Ruy e também de "Eleanor Rigby", creditada a Lennon/McCartney - Participação: Caetano Veloso (voz) Michael Jackson 3:31
3. "Roberto Corta Essa" (Participação: Jorge Ben (voz) Jorge Ben 4:07
4. "Adiós Nonino" (Participação: Astor Piazzolla (bandoneón) Astor Piazzolla 5:36
5. "Tiro de Misericórdia 2" (Participação: Elza Soares (voz) Aldir Blanc, João Bosco 4:50
6. "Não Quero Saber Mais Dela" (Participação: Beth Carvalho (voz), Caetano Veloso (voz), Chico Buarque (voz), Fundo de Quintal (voz, diversos) Almir Guinéto, Sombrinha 3:12
7. "London, London" (Participação: Paulo Ricardo (voz), Caetano Veloso (voz) Caetano Veloso 5:02
8. "Águas de Março" (Participação: Tom Jobim (piano, voz), Caetano Veloso (voz), Chico Buarque (voz) Tom Jobim 3:28
9. "Sentimental" (Participação: Chico Buarque (voz) Chico Buarque 3:32
10. "Luz Negra" (Participação: Cazuza (voz), Caetano Veloso (voz) Amâncio Cardoso, Nelson Cavaquinho 3:09
11. "Merda" (Participação: Rita Lee (voz), Luiz Caldas (voz), Caetano Veloso (voz) Caetano Veloso 2:02

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Caetano Veloso - Tropicália - 1968

Caetano Veloso - Tropicália - 1968


01. Tropicália (Caetano Veloso)
02. Clarice (Capinam - Caetano Veloso)
03. No Que Em Que Eu Vim-Me Embora (Gilberto Gil - Caetano Veloso)
04. Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
05. Onde Andarás (Ferreira Gullar - Caetano Veloso)
06. Anunciação (Rogério Duarte - Caetano Veloso)
07. Superbacana (Caetano Veloso)
08. Paisagem Útil (Caetano Veloso)
09. Clara (Caetano Veloso) - Com Gal Costa
10. Soy Loco Por Ti, América (Capinam - Gilberto Gil)
11. Ave Maria (Franz Schubert)
12. Eles (Gilberto Gil - Caetano Veloso)

Caetano Veloso - Cores, Nomes - 1982

Caetano Veloso - Cores, Nomes - 1982


1. Queixa
(Caetano Veloso)

2. Ele me deu um beijo na boca
(Caetano Veloso)

3. Trem Das Cores
(Caetano Veloso)

4. Sete mil vezes
(Caetano Veloso)

5. Coqueiro de Itapoã
(Dorival Caymmi)

6. Um canto de afoxé para o Bloco do Ilê
(Caetano Veloso, Moreno Veloso )

7. Cavaleiro de Jorge
(Caetano Veloso)

8. Sina
(Djavan)

9. Meu bem, meu mal
(Caetano Veloso)

10. Gênesis
(Caetano Veloso)

11. Sonhos
(Peninha)

12. Surpresa
(Caetano Veloso, João Donato)

Comentários:

É o mais parecido com o Outras Palavras. A que eu mais gosto é Aí Ele Me Deu um Beijo na Boca. Tem Trem das Cores, tão bonitinha, delicadinha. Queixa é lindo. Sina é inesquecível. Sonhos, do Peninha, que todo mundo adora e eu também adoro. Queixa e Um Canto Afoxé para o Bloco do Ilê entraram na coletânea de David Byrne, Beleza Tropical."

Caetano Veloso - Cê - Ao Vivo - 2007

Caetano Veloso - Cê - Ao Vivo - 2007


01 Outro
(Caetano Veloso)

02 Minhas Lágrimas
(Caetano Veloso)

03 Chão da Praça
(Moraes Moreira)

04 Nine Out of Ten
(Caetano Veloso)

05 Um Tom
(Caetano Veloso)

06 O Homem Velho
(Caetano Veloso)

07 Homem
(Caetano Veloso)

08 Amor Mais que Discreto ( Introdução: Ilusão À Toa )
(Caetano Veloso) / (Johnny Alf)

09 Odeio
(Caetano Veloso)

10 Como 2 e 2
(Caetano Veloso)

11 Sampa
(Caetano Veloso)

12 Desde que o Samba é Samba
(Caetano Veloso)

13 Não Me Arrependo
(Caetano Veloso)

14 London London
(Caetano Veloso)

15 Fora da Ordem
(Caetano Veloso)

16 Rocks
(Caetano Veloso)

17 You Don't Know Me
(Caetano Veloso)

Caetano Veloso - Perfil - 2006

Caetano Veloso - Perfil - 2006


1. Sozinho
2. Você Não Me Ensinou a Te Esquecer
3. Você é Linda
4. Samba de Verão
5. Odara
6. Come As You Are
7. Rapte-me, Camaleoa
8. Lua e Estrela
9. Sampa
10. O Leãozinho
11. Luz do Sol
12. Menino do Rio
13. Outras Palavras
14. Meia-Lua Inteira (Capoeira Larará)
15. Não Enche
16. Maluco Beleza
17. Como Uma Onda('com Lulu Santos')
18. Atrás da Verde-e-Rosa Não Vai Quem Já Morreu

Caetano Veloso - Cinema Olympia Raro e Inédito - 2006

Caetano Veloso - Cinema Olympia Raro e Inédito - 2006


01 - Samba em Paz
(Caetano Veloso) 

02 - Cavaleiro
(Caetano Veloso)

03 - Yes, Nós Temos Banana
(João de Barro/ Alberto Ribeiro)

04 - Ai de Mim, Copacabana
(Caetano Veloso/ Torquato Neto)

05 - É Proibido Proibir [estúdio] / 
É proibido proibir [ambiente de festival] - com Os Mutantes 
(Caetano Veloso)

06 - A Voz do Morto [ao vivo] - com Os Mutantes 
(Caetano Veloso)

07 - Baby [ao vivo] - com Os Mutantes

08 - Saudosismo [ao vivo] - com Os Mutantes
(Caetano Veloso)

09 - Marcianita [ao vivo] - com Os Mutantes
 (José I. Marcone/ Galvarino V. Alderete/ Vers. Fernando César)

10 - Torno a Repetir
(Caetano Veloso)

11 - Cinema Olympia
(Caetano Veloso)

12 - Hino do Esporte Clube Bahia
(Adroaldo Ribeiro da Costa)

13 - Charles, Anjo 45 - feat Jorge Ben
(Jorge Ben)

14 - Barão Beleza
(Tuzé de Abreu)

15 - Pula Pula (Salto de sapato)
(Capinam/ Jards Macalé)

16 - Cada Macaco No Seu Galho
(Riachão) 

17 - É Coisa do Destino
 (Moacyr de Albuquerque/ Tuzé de Abreu)

18 - Frevo do Trio Elétrico
 (Osmar/ Dodô)

19 - Tudo se transformou [ao vivo]
(Paulinho da Viola)

Caetano Veloso - Ce - 2006

Caetano Veloso - Ce - 2006


1. Outro
(Caetano Veloso)

2. Minhas lágrimas
(Caetano Veloso)

3. Rocks
(Caetano Veloso)

4. Deusa urbana
(Caetano Veloso)

5. Waly Salomão
(Caetano Veloso)

6. Não me arrependo
(Caetano Veloso)

7. Musa híbrida
(Caetano Veloso)

8. Odeio
(Caetano Veloso)

9. Homem
(Caetano Veloso)

10. Porquê?
(Caetano Veloso)

11. Um sonho
(Caetano Veloso)

12. O herói
(Caetano Veloso)

Comentários:
 Há canções demais nesse mundo. Eu próprio já fiz uma quantidade ridícula delas. Quase sempre com muita ambição e pouco cuidado. Tento não fazer mais tantas. Penso muito em cantar canções já existentes, pois cantar me dá prazer (só não me dá mais porque não canto tão bem quanto acho que se deve cantar). Mas tenho hábito e necessidade de fazer canções.

Em parte para tentar pôr as já feitas por mim numa perspectiva mais favorável, isto é: melhorá-las. Gosto de "Coração Vagabundo", de "Uns", de quase todas as canções que fiz para o filme "Tieta do Agreste" e de algumas que fiz para "Orfeu". Gosto de "13 de Maio" e das novas que fiz para o disco gravado com Jorge Mautner. Me orgulho (o que é diferente de "gosto") de "Tropicália", "Terra", "Haiti", "Baby", "Fora da Ordem", "Livros". Gostaria que mais gente conhecesse "Motriz", "Mansidão", "Meu Rio", "Um Tom". Mas a impressão geral é de quase irrelevância.

No entanto, agora fiz esse "cê" com 12 músicas novas. Admito que já devia estar com vontade de fazer isso, pois na excursão do "A Foreign Sound" eu dizia, em todas as apresentações, que planejava fazer um disco "todo em português, todo de sambas, todos meus, todos inéditos". Era uma piada por causa do disco de canções americanas. Mas a verdade é que comecei a escrever sambas para um CD novo.

Um deles, "Diferentemente", eu cantava no próprio show em que anunciava
isso. Decidi que seriam 16 - e que o disco se chamaria "Dezesseis Sambas". Por um motivo ou por outro, fui me afastando dessa idéia. Ao menos por enquanto. Além de "Diferentemente" (que não entrou no "cê"), eu tinha feito um ("Luto") que dei pra Gal gravar, outro ("Tiranizar") em parceria com Cézar Mendes - e comecei mais uns quatro que ficaram inacabados. "Musa Híbrida" é o único que poderia ter ido para aquele disco e veio para este.

As canções de "Cê" são em geral curtas e foram compostas com a formação guitarra/baixo/bateria (e eventual teclado) em mente. Mostrei as músicas a Pedro Sá já com as linhas de arranjo esboçadas (às vezes definidas) no violão. Têm, quanto a isso (mas não só quanto a isso), parentesco com as composições de rock. Suponho que elas tenham a mesma atitude desabusada que, na época do tropicalismo (e também depois), me levava a dar mostras de interesse pela cultura de massas dominante (a dos países ricos - e às vezes até dos pobres - de língua inglesa), mas sem submeter-me a ela, nem mesmo tornar-me um especialista nela. Claro que hoje, velho, sei mais coisas do que sabia aos 24. E sei fazer melhor. Mas se alguém achar que o ar de revisão do rock dos anos 80 sob um critério punk é um lugar-comum dos grupos atuais que não evitei adotar em muitos momentos, estará certo. Não se trata, porém, de um disco de rock como os que ouço e me interessam: as músicas são minhas, minha voz continua a mesma, meus cabelos estão mais brancos do que pretos, menos cacheados e sempre mais curtos do que quando os tinha longuíssimos - ou mais longos do que quando decidi usá-los curtos.

Pedro Sá e Moreno são meus filhos (este último, biologicamente falando; nenhum dos dois no sentido artístico: são filhos na acepção familiar do termo). Estão nos seus trinta: têm uma vivência direta dos caminhos que tomou o gosto musical nas últimas décadas - e intervenções pessoais notáveis na orientação desses caminhos. Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado estão nos seus vinte. Foi Pedro quem sugeriu seus nomes quando ouviu meus temas e minhas idéias. E nossa comunicação foi tão clara que em poucos minutos de ensaio as peças ficavam prontas para ser gravadas. Todas. Nem uma só emperrou. Todos traziam logo idéias que levavam as minhas até as últimas e melhores conseqüências.

Esse disco é resultado de muitas conversas que tive com Pedro Sá nesses anos em que ele tem tocado comigo (desde "Noites do Norte"). Comentávamos o que ouvíamos, ouvíamos algumas coisas juntos, finalmente falamos em fazer um disco marcando posição na discussão crítica do rock. Seria o disco de uma banda fictícia, onde às vezes ele cantaria, às vezes eu (num personagem diferente e com a voz eletronicamente modificada), às vezes algum outro músico que viéssemos a convidar para compor a banda. Faríamos como os Gorillaz (aliás, gosto muito de Gorillaz). Pensei em fazer isso enquanto gravava o disco de sambas, numa perfeita clandestinidade. Contaríamos muito com a utilidade do pro-tools.

Ao mesmo tempo, eu sonhava fazer uma outra coisa totalmente diferente disso: um disco chamado "Novas Canções Sentimentais", todo voz-e-violão, todo de canções românticas feitas por mim, mas que parecessem essas lindas de Peninha ou de Fernando Mendes que gravei com grande sucesso comercial. Só "Tá Combinado" era uma canção já existente que entraria nesse projeto. Todo o mundo gosta de fazer sucesso. E a mim me traz felicidade poder fazer o que agrada a muita gente, ver que muitas pessoas me ficam gratas e gostando de mim. Sei que um disco assim teria receptividade fácil aqui e na Europa, no Japão (nos Estados Unidos também, possivelmente, dependendo da nitidez da execução e de haver pistas claras quanto ao que fosse sinceridade e ao que fosse ironia), talvez só na Inglaterra ninguém entendesse nada, como acontece freqüentemente. Ainda penso em fazer um disco assim. Mas é um projeto muito solitário. E eu a toda hora me inspirava mais para compor canções do tipo das que iriam pro disco clandestino de rock. Terminei fazendo um disco meu (não tenho esse espírito combativo todo para entrar na clandestinidade), com muito do que veio desse tipo de inspiração, uma canção que transbordou do pacote de sambas ("Musa Híbrida") e outra que meio veio do imaginário grupo das "Novas Canções Sentimentais" ("Não Me Arrependo") - sendo que esta última é (com "Minhas Lágrimas") um dos raros momentos autobiográficos de um disco que é quase a obra de um heterônimo. E, seguindo o caminho de purificação do som que Pedro e Moreno foram abrindo, gravamos tudo em fita larga, sem pro-tools.

Todas as músicas do CD são tocadas pelos mesmos três músicos: Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado. E eu, claro, que, além de cantar (às vezes com Pedro, às vezes com Marcelo - só Ricardo não cantou no disco), toco meu velho violão, puxando as cordas (nunca consegui tocar batendo nas cordas como toda a geração rock e pós-rock faz), quase sempre as de náilon, mas, por duas vezes, umas de aço (com que não tenho nenhuma intimidade). Temos vontade de fazer o mesmo no palco.

A única participação especial é de Jonas Sá, na faixa "O Herói", em que ele, atendendo a uma sugestão de Moreno, faz aqueles vocais angelicais à Stevie Wonder (quando a contra-ironia chega ao auge) e, depois, na mesma faixa, aqueles vocais diabólicos (quando a dor do herói salta pra fora da tensão ironia/não-ironia) que fecham o album. Acho que "cê" é o único álbum meu, até agora, em que só há canções feitas por mim sozinho.

Caetano Veloso - Ongotô - 2005

Caetano Veloso - Ongotô - 2005



01.- Fla-Flu
(Caetano Veloso/José Miguel Wisnik)

02.- É só isso
 (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik)

03.- Madre Deus
 (Caetano Veloso)
04.- A cobra do caos
(Caetano Veloso/José Miguel Wisnik)

05.- Mortal loucura
 (José Miguel Wisnik - sobre poema de Gregório de Matos)

06.- Big bang bang
(Caetano Veloso/José Miguel Wisnik)

07.- Tão pequeno
 (Caetano Veloso - sobre poema de Luís de Camões)

08 - Pesar do Mundo
(Paulo Neves/José Miguel Wisnik)

09.- Onqotô
 (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik)
Comentários:
A perplexidade e a inexorável pequeneza do Homem diante da vastidão do Universo é o tema central de Onqotô, balé que, em 2005, marcou as comemorações dos 30 anos de atividade do Grupo Corpo. Assinada por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, a trilha sonora tem como ponto de partida uma bem-humorada discussão sobre a “paternidade” do Universo. De um lado, estaria a teoria do Big-Bang, a grande explosão primordial, cuja expressão consagrada pela comunidade científica mundial parece atribuir à cultura anglo-saxônica dominante a criação do Universo; e, de outro, uma máxima espirituosa formulada pelo genial dramaturgo (e comentarista esportivo) Nelson Rodrigues sobre o clássico maior do futebol carioca, segundo a qual se poderia inferir que o Cosmos teria sido “concebido” sob o signo indelével da brasilidade: “O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada”.
Instrumentais ou com letra, os nove temas que compõem os 42 minutos de trilha estabelecem uma sucessão de diálogos rítmicos, melódicos e poéticos em torno das “cenas de origem” eleitas por seus criadores e do sentimento de desamparo inerente à condição humana.
Na coreografia criada por Rodrigo Pederneiras, verticalidade e horizontalidade, caos e ordenação, brusquidez e brandura, volume e escassez se contrapõem e se superpõem, em consonância (e, eventualmente, em dissonância) com a trilha musical, desvelando significados, melodias e ritmos que subjazem ao estímulo sonoro.

Caetano Veloso - Muito Mais - 2005

Caetano Veloso - Muito Mais - 2005



1. Tropicália
2. Enquanto Seu Lobo Não Vem
3. Não Identificado
4. Qualquer Coisa
5. O Leãozinho
6. Terra
7. Muito Romântico
8. Sampa
9. Lua de São Jorge
10. Rapte-me, Camaleoa
11. Queixa
12. Um Canto De Afoxé Para O Bloco De Ilé
13. Luz Do Sol
14. Você É Linda
15. Podres Poderes
16. Eu Sou Neguinha?
17. Fora Da Ordem
18. Não Enche
19. Eu Sei Que Vou Te Amar/ Dindi (String Version)
20. Só Vou Gostar De Quem Gosta De Mim (Ao Vivo)

Caetano Veloso - A foreign Sound - 2004

Caetano Veloso - A foreign Sound - 2004



1. The Carioca
2. So In Love
3. I Only Have Eyes For You
4. Always
5. Come As You Are
6. Feelings
7. Love For Sale
8. The Man I Love
9. Smoke Gets In Your Eyes
10. Cry Me A River
11. Jamaica Farewell
12. Nature Boy
13. (Nothing But) Flowers
14. Manhattan
15. Diana
16. It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)
17. Love Me Tender
18. Body And Soul
19. If It's Magic
20. Detached
21. Something Good
22. Blue Skies

Caetano Veloso - Millennium - 2003

Caetano Veloso - Millennium - 2003


1. Terra
2. Nao Enche
3. Luz Do Sol
4. Sina
5. Fina Esampa
6. Sampa
7. Podres Poderes
8. Um Indio
9. Gente
10. Contigo En La Distancia
11. Odara
12. Ondon, London
13. Eclipse Oculto
14. Trem Das Cores
15. O Quereres
16. Livros
17. Vaca Profana
18. Rai Das Cores
19. O Estrangeiro
20. A Luz De Tieta

Caetano Veloso - Novelas - 2002

Caetano Veloso -  Novelas - 2002


1 Sonhos  (Peninha)
2 Escândalo  (Caetano Veloso)
3 Você é linda  (Caetano Veloso)
4 Sozinho  (Peninha)
5 Samba de verão  (Paulo Sérgio Valle, Marcos Valle)
6 Queixa  (Caetano Veloso)
7 O leãozinho  (Caetano Veloso)
8 Meia lua inteira (Capoeira Larara)  (Carlinhos Brown)
9 Você é minha  (Caetano Veloso)
10 Luna rossa/Le notti di Cabiria  (V. de Crescenzo, Nino Rota, Vian)
11 Shy moon  (Caetano Veloso)
12 Felicidade (felicidade foi embora)  (Lupicínio Rodrigues)
13 Coração vagabundo  (Caetano Veloso)
14 Isto aqui o que é?  (Ary Barroso)
15 Alegria alegria  (Caetano Veloso)

Caetano Veloso - Lo Mejor De Caetano Veloso - 2002

Caetano Veloso - Lo Mejor De Caetano Veloso - 2002

CD 1

01 Terra (Live)
02 Beleza Pura
03 Contigo En La Distancia
04 Queixa
05 Tropicália
06 La Barca (Live)
07 Fora Da Ordem
08 O Leâozinho
09 Mi Cocodrilo Verde
10 Onde O Rio É Mais Baiano
11 Minha Voz Minha Vida
12 Capullito De Alelí
13 A Luz De Tieta
14 ¡Ay, Amor! (Live)
15 Outro Retrato
16 Soy Loco Por Tí, América (Live)
17 Nada (Live)
18 Podres Poderes

CD 2

01 Odara (Live)
02 Coraçâo- Pensamento
03 Rumba Azul
04 Lua De Sao Jorge
05 Vete De Mi
06 Nâo Enche
07 Michelangelo Antonioni
08 Cucurrucucú Paloma (Live)
09 Um Índio
10 London London
11 Lamento Boricano
12 Graffiti
13 Coisa Mais Linda
14 Fina Estampa - Chabuca Granda
15 Qualquer Coisa
16 Coraçâo Vagabundo
17 Un Vestido Y Un Amor
18 Alexandre

Caetano Veloso - Caetano Veloso e Jorge Mautner (eu näo peço desculpa) - 2002

Caetano Veloso - Caetano Veloso e Jorge Mautner (eu näo peço desculpa) - 2002


1. Todo errado
(Jorge Mautner)

2. Feitiço
(Caetano Veloso)

3. Manjar de reis
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

4. Tarado
(Caetano Veloso, Jorge Mautner)

5. Maracatu atômico
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

6. O namorado / Urge Dracon
(Caetano Veloso, Jorge Mautner )

7. Coisa assassina
(Gilberto Gil, Jorge Mautner)

8. Homem bomba
(Caetano Veloso, Jorge Mautner)

9. Lágrimas negras / Doidão
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

10. Morre-se assim
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

11. Graça Divina
(Caetano Veloso, Jorge Mautner)

12. Cajuína
(Caetano Veloso)

13. Voa, voa, perereca
(Sergio Amado)

14. Hino do Carnaval Brasileiro
(Lamartine Babo)

Comentários:
As risadas e os sustos que as conversas com Mautner sempre provocam, excitaram minha imaginação de modo especial nos encontros que tivemos, entre outubro e dezembro de 2001, o que me levou a desejar fazer um disco em colaboração com ele. A amizade que mantemos desde que nos vimos pela primeira vez, em Londres, no começo da década de 1970, é e foi sempre muito importante para mim. Mas nunca tive tão clara em minha mente a pergunta sobre minha verdadeira ambição quanto durante esses papos mais recentes: certamente o que ambiciono não é a fama e menos ainda a riqueza "material"; será a poesia?, a política? ou... a profecia? Foi essa hipótese da ambição profética que me levou a propor a Mautner o disco conjunto. Porque Jorge é uma improvável mistura de paganista com profeta de Israel. Daí é que vem o fascínio que sua curiosa personalidade paraliterária, paramusical, e parapolítica (sua instigante personalidade tout court) exerce sobre mim. Sem dúvida, é dessa combinação que vieram suas inclinações de adolescência para liderar movimentos com características quase fascistas, o que, paradoxalmente(?), o levou aos altos círculos do Partido Comunista e, sobretudo, à produção de um romance assombrosamente forte chamado "Deus da Chuva e da Morte". A experiência, na extrema juventude, de debruçar a imaginação mítica sobre informações secretas da política pesada deu-lhe uma visão única (e mais contraditória na aparência do que na realidade) de como se joga com o poder no mundo. Uma visão que ele não cansa de reconstruir, me virar, atualizar.

Os terríveis acontecimentos de 11 de setembro de 2001, envolvendo Nova Iorque, cidade amada por ele e por mim, e repercutindo na situação de Israel, país que adoramos, e no vasto Islã, que nos fascina e nos remete à pergunta pelo destino da idéia central do povo Judeu, o Monoteísmo, nos levaram a conversas sobre o mundo, o Brasil, a vida dos homens. Nessas conversas, às vezes eu sentia medo. Pois bem: foi para espantar o medo que decidi pedir a Jorge que deixássemos tudo desaguar em canções. Depois de vê-lo, no carnaval de 2002, em Salvador, cantar o "Hino do Carnaval Brasileiro", num trio elétrico, em meio a um verão singularmente amargo para mim, entendi que o disco teria que ser feito logo que eu voltasse para o Rio. As canções que fizemos não lembram ou ilustram essas conversas de que falei. São, em geral, canções pop-paródicas: elas exibem o distanciamento que Mautner mantém em sua permanente metamorfose apaixonada. Fazem rir e podem fazer chorar. Algumas eu fiz sozinho, mas não as teria feito se não fosse para um disco com Jorge Mautner.

Tudo no disco tem a ver com o clima dele ­ ou com o clima a que ele me transporta. Hipertropicalista, porque tropicalista avant la lettre, Mautner não pode conceber o que venha a ser uma necessidade de criar-se o antitropicalismo (uma necessidade genuína que muita gente mais jovem confessa sentir ­ o que não deve ser confundido com as, talvez, mais freqüentes manifestações de mesquinhos desejos de substituição de celebridades): ele reanima as motivações elementares daquele movimento, que são, afinal, as mesmas que movem seus principais líderes: eis por que Gil foi chamado para cantar conosco o meu "Feitiço" (uma resposta ao "Feitiço da Vila" de Noel) e para pôr música nos versos de "Coisa Assassina", de Mautner. É não apenas o Gil tropicalista que está ali: é o Gil que excursionou com Mautner nos anos 1980 com o show "O Poeta e o Esfomeado". Mas Mautner é hipertropicalista também porque ele não foi, à época do movimento, um tropicalista: estes eram bossanovistas que se subvertiam; Mautner era, tal como Raul Seixas, um amante do rock'n'roll e das baladas country norte-americanas (além dos samba-canções de Adelino Moreira) que exibia (até no texto de seus primeiros livros) desprezo pela bossa nova. De fato, ao gravar com ele "Todo Errado" (de onde, afinal, saiu o título do disco), pensei muito em Raul e nas coisas da letra de "Rock'n'Raul". Assim, Eu Não Peço Desculpa é também uma continuação de "Rock'n'Raul", essa canção que me parece tão grandiosa quão mal compreendida.

Gravei "Lágrimas Negras" e o "Maracatu Atômico" porque acho esta uma obra-prima obrigatória e aquela uma das mais belas canções sobre a tristeza já feitas. E porque queria pontuar o disco com lembretes do peso da obra de Jorge. Pedi a ele que escolhesse algo meu para regravar: ele chegou ao estúdio com essa "Cajuína" que ele acreditava ser puramente nordestina e se revelou tão eslava em sua voz e em seu violino que, Kassin, que produziu o disco comigo (ou para mim), resolveu adicionar palmas e um fole (que às vezes toca uma terça menor em choque com a terça maior de um acorde recorrente). Sem Kassin, aliás, esse disco não seria o que é. Kassin, que conheci através de Moreno ­ que, por sua vez, o conheceu por intermédio de Pedro Sá ­ é um talento imenso e muito peculiar. Totalmente do mundo dos novos mini-estúdios com pro-tools, informadíssimo, inspiradíssimo, ele tem tão pouco medo do ridículo quanto Mautner ­ e a mesma capacidade de estar sempre roçando a paródia. Tem também um suingue inacreditável. Seu baixo bate no tempo de modo tão gostoso e moderno (sem fazer sotaque de baixista suingado de jazz-fusion) que parece que não tem ninguém tocando, que é o próprio tempo dizendo-se, sem um ego chato para atrapalhar. Pedro Sá, Davi, Domênico, Moreno e outros músicos convidados entravam e saíam da sala minúscula do estúdio.
     
Nelson Jacobina estava sempre lá: o grande Nelson, o Carneirinho, principal parceiro de Jorge (não só o mais freqüente como também co-autor das obras-primas). Fabiano, pilotando, só transmitia tranqüilidade, doçura e segurança. Tarta, quase que só doçura. Havia também uma foto da Luana Piovani pregada na porta, do lado de dentro do estúdio. Dizíamos que ela era a nossa padroeira: ela foi a madrinha da bateria do nosso samba. Um dia eu a levei lá. Em carne e osso. Parecia uma visão irreal. Ela ficou até o fim da sessão. Todos os rapazes ficaram extasiados. Ninguém se recuperou ainda direito. Quem canta seus males espanta. Este disco é para a gente atravessar esses tempos de homens-bomba, especulação globalizada, dengue e insegurança. Com a ajuda da lua de Jorge ­ e das Luanas ­ chegaremos vivos a um outro ambiente.

Caetano Veloso - Coletanea MPB Caetano Veloso canta Vol. 3

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01 Sozinho [Ao Vivo]
02 Drão
03 Lábios Que Beijei [Ao Vivo]
04 Chega de Saudade [Ao Vivo]
05 Pensando Em Ti
06 Chora Tua Tristeza [Ao Vivo]
07 Na Asa Do Vento
08 Coisa Mais Linda
09 Samba E Amor
10 Sina
11 Tudo Se Transformou
12 Maria Bethània [Ao Vivo]
13 Morena Dos Olhos d'Àgua
14 Badaué

Caetano Veloso - Coletanea MPB Caetano Veloso canta Vol. 2

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01 Mora Na Filosofia
02 Chuvas de Verão
03 Asa Branca
04 Rita-Esse Cara [Ao Vivo]
05 Coração Materno
06 Tonada de Luna Llena
07 Calúnia [Ao Vivo]
08 Lua E Estrela
09 Dans Mon Íle
10 Pra Que Mentir [Ao Vivo]
11 Fera Ferida
12 Mano a Mano [Ao Vivo]
13 Eu Sei Que Vou Te Amar
14 Nature Boy [Ao Vivo]